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sábado, 23 de abril de 2011
You are the best part of me
Ela acordou. Cheirou a camisola para ver se o cheiro dele ainda estava nela. Saiu da cama. Tomou banho. Fez tudo como habitual. Saiu de casa, e entrou para dentro do carro. Esperava pelo pai. Sabia que ele ia demorar pelo menos mais dez minutos. Fazia aquela rotina todos os dias. Sabia que tinha de entrar pela escola a rir-se e a contar piadas. Por isso, ia todos os dias mais cedo para o carro. Antes de o pai chegar. E chorava. Sentia falta da mãe. E todos os dias se lembrava do acidente e se sentia culpada. Quando sabia que o pai ia chegar, limpava as lágrimas, punha um sorriso, falso claro, na cara e punha o radio a dar e um pouco alto. Era a rotina dela todos os dias. Mas hoje fora diferente, o pai demorara-se mais tempo, e quando entrou no carro não disse uma palavra sequer. Ela perguntou quando podiam ir finalmente ver a mãe. Ja se tinham passado dois meses desde a ultima vez. O pai parou o carro, pouco antes da escola. Desligou o radio e olhou para ela. As lágrimas invadiam-lhe os olhos. Ele disse-lhe que sabia que ela chorava todos os dias antes de ele entrar no carro. E que adormecia com as lágrimas na almofada todas as noites. Sabia que ela tinha saudades da mãe, que se sentia culpada, e que a relação deles não era a melhor. Ela tentou para-lo. Mas ele não deixou. As lágrimas começaram a escorrer-lhe lentamente pelo seu rosto velho. Ela não queria que ele dissesse. Ele pegou-lhe na cara e disse "A tua mãe morreu Filipa." Ela saiu do carro e entrou na escola, e pela primeira vez não levava um sorriso posto. As lágrimas estavam por toda a parte do seu rosto jovem. Puxou o capucho, e tapou a cara. Não queria que percebessem que era ela, e que muito menos lhe fizessem perguntas naquele momento. Viu o seu namorado, à sua espera, no sitio do costume, como todos os dias. Agarrou-se a ele a chorar. Ele conheci-a bem. E sabia o que se andava a passar, desde sempre. Não tinham segredos. Disse-lhe que a amava, e que estaria ali para ela sempre. Todas as noites, todos os dias. Em todo o lado. E que jamais a iria fazer-se sentir culpada fosse pelo que fosse. Disse-lhe também que não conseguia trazer a sua mãe de volta, mas que lhe conseguia dar todo o carinho do mundo. Ela acalmou-se. Pegou-lhe na mão dele e disse "Vamos. Disseste que um dia fugíamos juntos. é hoje o dia. Preciso de sair daqui. Contigo." Ele aceitou e saíram os dois juntos, de mão dada. Ele amava-a como nunca tinha amado ninguém. E ela sabia o que era amar pela primeira vez. Umas ultimas lágrimas caíram pelo seu rosto. O sorriso não veio, mas levou a mão ate junto do peito. E pensou em tudo o que tinha passado com e pela mãe. E simplesmente disse baixinho "Obrigada mãe. Obrigada por me teres ensinado a amar desta maneira. E a saber esquecer e perdoar. Obrigada pelo que fizeste. E desculpa ter sido a causa da tua morte. Vou-te amar sempre." Ele ouviu-a. Sorriu para ela e prometeu que um dia iriam casar e ser felizes. Não para sempre. Mas para alem da morte.
terça-feira, 19 de abril de 2011
Desabafo.
Cá estou eu, outra vez. Não sou daquelas pessoas que escreve diariamente no blogue. Não tenho todos os dias inspiração, mas todos os dias abro esta janela e tento escrever algo. E fica tudo guardado nos rascunhos. Hoje vou escrever sobre ti. Sim, mais uma vez. Ontem a noite deitei-me na cama, tapei-me toda, sim estava com frio. Estava escuro e eu só pensava em ti. Na vontade que tinha de ir ter contigo, e por-me dentro da cama contigo. Nada do que possam pensar, nada de sexo ou amor. Apenas poder dormir agarrada a ti. Sentir o teu cheiro junto das minhas roupas toda a noite. E nunca mais acordar. Ainda consigo acreditar que isso um dia vai ser possível. O meu medo é tão grande. O medo de te desiludir ou magoar, consome-me por dentro. Esta mania de querer fazer tudo bem, sem erros nenhuns começa a ser demais. Tenho de saber parar. E deixar as coisas acontecerem naturalmente. Ao tempo que não me sentia tão bem ao lado de alguém. Vieste, apareceste e marcaste a diferença em tão pouco tempo. Com isto tudo, amanha faz um mês que nos conhecemos. E se pudesse voltar atrás no tempo, faria tudo igual. Estou a tentar manter isto de pé da melhor maneira que posso. Já te disse que foi uma sorte teres-me vindo parar as mãos? E já te disse que não te vou deixar fugir? Pois, agora já sabes.Vou deixar-me de coisas e aproveitar isto. Pois é o melhor que tenho. Acima de tudo, a verdade. Peço-te sempre a verdade. Seja ela qual for. Eu vou sempre respeita-la e aceita-la. Agora não penses que isto vai ser sempre fácil, porque não vai. E sim, eu confio em ti. Agora vá, queres que te conte uma coisa muito estúpida e com a qual vais gozar muito? Quando estiveres comigo, pega no meu telemóvel. Depois vais perceber. Gosto muito de ti, meu amor.
sexta-feira, 15 de abril de 2011
the end
Vi-me perdida. Sozinha. Nao era a primeira vez, nem a segunda. E todos sabiam que nao ia ser a ultima. Todos me avisaram enquanto era tempo. Todos me agarraram sempre que me balançava sobre o buraco em que queria cair. Desta vez nao. Desta vez, cai. E bati bem la no fundo. As lagrimas vieram-me aos olhos naquele buraco escuro. Tentei prende-las. Tinha prometido a mim mesma nao voltar a chorar pelo que quer que fosse. Nao ia falhar mais uma promessa. Tinha a garganta seca, queria gritar mas o grito nao saia. Fiz força, pus a cabeça para cima, fiz de tudo para elas nao cairem. Mais uma vez nao consegui ser mais forte do que qualquer coisa. Elas cairam, uma a uma. O meu rosto foi ficando molhado. Pensei como ia dar a volta por cima. Como ia sair dali. So vi uma saida. Levantei-me. Caminhei descalça pela rua. Era Verao, nao me importava se a estrada estava a escaldar, ou se estava gelada. Eu nem sentia bem a temperatura. Estava descontrolada, desorientada, confusa. Cheguei á estaçao, comprei uma passagem ate ao Porto. Estava num estado lastimavel. Houve pessoas que chegaram a sentar-se ao meu lado. Uns perguntavam se tinha erva, outros davam-me dinheiro para comprar comida. Outros sussuravam-me que a vida nao depende so de uma pessoa. O comboio chegou. Entrei. Sentei-me no fundo do comboio. Sabia que o telemovel ia começar a tocar nao tarda. Tocou vezes sem conta. Desliguei-o. Sabia que mqis tarde iria precisar dele. Isulei-me de todo o barulho. Olhei pela janela, e vi tudo. O passado, o presente. Os choros, os gritos. As quedas, as desilusoes. Os sorrisos, os orgulhos. Vi tudo passar a minha frente. Custou tanto nao conseguir mudar nada. Cada vez me sentia mais fraca, e sem forças para andar. Horas mais tarde, consegui chegar. Sai. Ainda tinha muito para andar. rastejei-me pelos passeios agarrando-me aos postes e bancos. Ali parecia toda a gente tao feliz. Sem problemas. Com boas vidas. Nada como eu. Familia destruida. Namorado morto. Pais separados. Olhada de lado. So me restava uma pessoa. Uma. Continuei a caminhar. So tinha visto aquela casa uma vez, a unica vez que tive dinheiro para ir ate la. Subi as cinco escadas da entrada. Sentei-me. Precisava de ganhar coragem para voltar ali apos tantos anos sem ter dado noticias. Alem do mais tinha andado muito, nao tinha mais forças. Levantei-me. Soltei o cabelo, e toquei a campainha. Ela abriu-me a porta. Estava dois centimetros mais baixa que eu. Tinha o cabelo castanho claro, como da ultima vez que a vi. E tinha uma argola no nariz. Ficou os minutos seguintes com a porta aberta, a oberservar-me. Olhou-me nos olhos. E eu percebi. Retribui-lhe o olhar como quem diz "desculpa". Abraçou-me, nao consegui retribuir. Estava acabada. Senti os meus olhos a fecharem, e o meu corpo mole, a cair-se sobre os braços dela. Era o meu fim, pensei eu. De repente abri os olhos, estava numa ambulancia. A Maria estava ao meu lado, segurava-me a mao com todas as suas forças e chorava. Gritava para eu me aguentar, que era desta vez que iamos ficar juntas. No meio de tanta gritaria descobri que ela tinha cancro. E que iria morrer em breve. Fechei os olhos, a unica pessoa que tinha no mundo ia morrer. De nada valia continuar a lutar por mim mesma. Ela leu-me esse pensamento, começou a gritar enquanto chorava, para me aguentar, e que eu ia ficar em boas maos. E que nao podia desistir pelo facto de ela ter cancro, para me lembrar de todos os anos que passamos juntas. Fechei os olhos. No hospital informaram-me que estava demasiado fraca, e que precisava de me alimentar. Mas que estava bem, e podia ir para casa. Sai dali. A Maria estava a minha espera. Deu-me a mao, e enfiou-me para dentro do carro. Paramos numa pastelaria, comprou-me um bolo e um sumo. Agradeci-lhe. Fomos ate casa a pé. Queriamos falar um pouco. Fomos a maior parte do tempo caladas. Ate que ela disse ''Entao e o Rafael? Como estao as coisas?'' Olhei para ela, calei-me e disse ''Ele morreu a dois dias Maria.'' Ela nao sabia o que dizer, entrou em panico. Começou a chorar. Eles tinham sido grandes amigos. Pegou nos meus braços. Puxou-me a camisola para cima. Nao tinha cortes. So as marcas dos de ha muitos anos. Entramos em casa. Fomos para o quarto dela. Ela perguntou-me que se passava. Eu simplesmente dissse ''A minha hora chegou Maria. É o fim''. Ela percebia. Agarrou-me a cara, e deu-me um estalo. E disse ''Mas tu estas tonta? És a melhor pessoa que existe neste mundo. Os teus pais nao te dao o devido valor, luta para o ter. O teu namorado morreu, ultrapassa isso, demore o tempo que demorar. Eu sei, sei que sou a unica pessoa que tens, mas tens de deixar de sonhar e pensar que vai ser sempre tudo mau. Ou que vai ser sempre tudo bom. Andares-te a espetar com seringas cheias de merda la dentro, nao te vai levar a lado nenhum. E nem me tentes mentir, porque eu sei bem o que digo. Conheço-te melhor do que qualquer pessoa. As seringas so te vao levar a morte, e nao é saida para nada. Ficas aqui a viver, o tempo que for preciso. Prometi que nunca te ia abandonar, e nunca o vou fazer. Amo-te como sempre amei. És a minha melhor amiga, e a unica pessoa que consegui amar em todo o Mundo. Vou morrer em breve, e tu vais ser forte e aguentar isso tudo. Eu vou estar sempre ao teu lado, sempre. Eu nunca vou amar nenhuma rapariga, nem nenhum rapaz como te amo a ti. Percebe isso duma vez. Percebe que tens de lutar pela vida.'' Comecei a chorar, agarrei-me a ela. Choramos juntas. Nao queria saber o que ia acontecer depois disto tudo. Queria ficar ali contigo para sempre. Ai, nao te estou a sentir completamente bem. Maria!
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Mae.
Eu sei, sei que já escrevi sobre ti. Mas este é o único sitio onde posso escrever a vontade, sem ser julgada. Sabes bem, que já me fizeste sofrer muito. As tuas palavras a cada dia que passam custam mais a ouvir, e a aceitar. Ter a palavra desilusão e não gosto de ti, na cara, todos dias, forma uma grande ferida. As tuas atitudes para comigo, estão todas erradas, todas. Não realizas o papel que te foi dado. Não me apoias como devias apoiar. Estas sempre do lado oposto, a torcer pelo lado oposto. E não por mim, que sou tua filha. Isso faz-te feliz? Não te custa pensar como me tratas? Não te custa dizer as coisas que me dizes? As vezes ponho-me a pensar, e acho que não. Que não te custa nem um bocadinho teres essas atitudes. Ontem foi o meu dia de anos, e tu preocupaste-te com tudo, menos com esta frase "parabéns filha.". Tu não me deste os parabéns. Desde à quatro anos que não o dizes. O facto de tu não gostares de mim, não te dà o direito de dizer que mais ninguém gostará. Pois, eu ainda consigo orgulhar as pessoas. Ainda consigo ficar feliz por as ver. Agora, quando chega a hora de vir para casa, o sorriso desaparece. Aparecem as preocupações, as discussões, e os choros. Falta-me a coragem para te dizer todas estas coisas cara a cara. Chamem-me cobarde, porque é o que sou. Ja te fiz uma carta, a pedir que tudo mudasse, que deixasses de ser assim. Tu leste, rasgaste; e puseste no lixo. Foi como se eu nunca tivesse escrito nada. As vezes parece que te sentes bem, em ser assim comigo, e com toda a gente a tua volta. Mas depois quando não estou em casa à três dias, já me ligas com voz de quem vai chorar, ou já chorou. A pedir que volte. E claro, eu não volto. Quando me vais buscar, vais com uma cara zangada, como sempre. Chegamos a casa e eu penso que alguma coisa vai mudar, mas de facto, nunca muda.Um dia destes, vais acordar, vais-te dirigir ao meu quarto. Eu não la vou estar, vais procurar-me em todo o lado, e ligar-me vezes seguidas. E só depois te lembras que já tenho dezoito anos, e que já estou na Universidade. Vais chorar, e vais-me pedir desculpa por tudo. Não te vou desculpar, apenas vou pedir que não faças a minha irma passar por o mesmo. Tenho saudades de quando tinha três anos, e o pai e tu me levavam a piscina, e era só rir. Nessa altura era tudo tão perfeito, porque teve de mudar? Diz-me, porque?
domingo, 3 de abril de 2011
uma noite bem passada.
acordei, tinha-te ali mesmo ao meu lado. agora sim, posso dizer que a minha historia vai começar. e desta vez contigo ao meu lado a todos os minutos e segundos da nossa vida. lembro-me tão bem da noite passada como se fosse hoje. fomos a praia depois do jantar. andamos de mãos dadas o tempo todo; encontramos um casal de idosos muito amorosos, que se dirigiram a nos e disseram ''meus queridos, como vocês nos fazem lembrar a gente à vinte anos atrás.'' e nos os dois olhámos um para o outro, sorrimos, e despedi-mo-nos daquele casal. já era bem tarde, e nos continuávamos na nossa praia, por assim dizer. lembro-me de estarmos deitados na areia, tu olhares-me nos olhos, e teres dito apenas "quando a morte chegar, eu não te vou abandonar. vou permanecer do teu lado, e apoiar-te nas tuas novas escolhas, porque amar alguém é fazer o melhor por ela."dei-te um beijo, e jurei-te que serias tu quem eu iria amar para sempre e mais ninguém. viesse quem viesse. pegaste-me ao colo e correste comigo para a agua. parecia como nos filmes. ficamos todos molhados, e para ajudar começou a chover. não quisemos saber. abraçaste-me com uma força enorme. beijaste-me vezes seguidas. comecei a chorar. percebeste tudo. limpaste-me as lágrimas. pegaste com jeito na minha cara, puseste os meus olhos sobre os teus. ficamos naquilo durante uns bons minutos. e ambos pensámos um para o outro "como somos perfeitos juntos". puseste-me nas tuas cavalitas e levaste-me até casa assim. quando chegámos fomos logo para o quarto, quentinho e à nossa maneira. dirigiste-te ao piso de baixo enquanto me vestia. conseguia ouvir os teus passos apressados a descer as escadas de madeira já gastas. entraste pelo nosso quarto a dentro, agarraste-me a cintura, e deste-me o meu livro. sabias tudo sobre mim. desde os meus gostos preferidos até às minhas rotinas. deitaste-te ao meu lado, pediste-me que te lesse algumas parte do livro. assim o fiz. e lembro-me tão bem das palavras que usaste para descrever aquilo que te li, foram "um dia isso ainda vai ser a nossa historia, as nossas palavras. um dia vamos ser nos as personagens principais desses tão belos e antigos livros. mas o fim dessa historia, não vai ser escrito, nem por ti, nem por mim. alguém o há-de inventar. mas prometo, que vai ser daqueles finais felizes. em que nenhum morre, em que ficamos juntos para sempre. tal como o casal de idosos amoroso, que vimos esta noite" fechei o livro. deste-me um beijo de boa noite. apaguei a luz. senti a tua mão áspera na minha cara, a passar suavemente. fechei os olhos, e disse-te muito baixinho "vamos ficar assim para sempre meu amor." e não quis ouvir a tua resposta. de repente, já era de manhã, tive medo que tivesse sido tudo um sonho. olhei para o lado e la estavas tu, a dormir, e a segurar na minha mão.
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