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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mae.


Eu sei, sei que já escrevi sobre ti. Mas este é o único sitio onde posso escrever a vontade, sem ser julgada. Sabes bem, que já me fizeste sofrer muito. As tuas palavras a cada dia que passam custam mais a ouvir, e a aceitar. Ter a palavra desilusão e não gosto de ti, na cara, todos dias, forma uma grande ferida. As tuas atitudes para comigo, estão todas erradas, todas. Não realizas o papel que te foi dado. Não me apoias como devias apoiar. Estas sempre do lado oposto, a torcer pelo lado oposto. E não por mim, que sou tua filha. Isso faz-te feliz? Não te custa pensar como me tratas? Não te custa dizer as coisas que me dizes? As vezes ponho-me a pensar, e acho que não. Que não te custa nem um bocadinho teres essas atitudes. Ontem foi o meu dia de anos, e tu preocupaste-te com tudo, menos com esta frase "parabéns filha.". Tu não me deste os parabéns. Desde à quatro anos que não o dizes. O facto de tu não gostares de mim, não te dà o direito de dizer que mais ninguém gostará. Pois, eu ainda consigo orgulhar as pessoas. Ainda consigo ficar feliz por as ver. Agora, quando chega a hora de vir para casa, o sorriso desaparece. Aparecem as preocupações, as discussões, e os choros. Falta-me a coragem para te dizer todas estas coisas cara a cara. Chamem-me cobarde, porque é o que sou. Ja te fiz uma carta, a pedir que tudo mudasse, que deixasses de ser assim. Tu leste, rasgaste; e puseste no lixo. Foi como se eu nunca tivesse escrito nada. As vezes parece que te sentes bem, em ser assim comigo, e com toda a gente a tua volta. Mas depois quando não estou em casa à três dias, já me ligas com voz de quem vai chorar, ou já chorou. A pedir que volte. E claro, eu não volto. Quando me vais buscar, vais com uma cara zangada, como sempre. Chegamos a casa e eu penso que alguma coisa vai mudar, mas de facto, nunca muda.Um dia destes, vais acordar, vais-te dirigir ao meu quarto. Eu não la vou estar, vais procurar-me em todo o lado, e ligar-me vezes seguidas. E só depois te lembras que já tenho dezoito anos, e que já estou na Universidade. Vais chorar, e vais-me pedir desculpa por tudo. Não te vou desculpar, apenas vou pedir que não faças a minha irma passar por o mesmo. Tenho saudades de quando tinha três anos, e o pai e tu me levavam a piscina, e era só rir. Nessa altura era tudo tão perfeito, porque teve de mudar? Diz-me, porque?

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