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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

o meu passado.

é verdade, eu não falo de ti diariamente. aliás eu nunca falo de ti. desculpa. sei que merecias mais da minha atenção, prometi-te isso no dia em que te foste embora. aliás por falar nesse dia, lembraste dele? eu não chorei. nunca chorei. até perceber que ias mesmo embora. comecei a sentir a tua falta a certa altura. habituei-me a viver sete anos contigo. e de um momento para o outro estás noutra cidade, bem longe de mim. fomos melhores amigas durante bastante tempo. tu sabes disso. toda a gente sabia. penso qe nunca nos chamámos isso uma a outra, mas nós sabiamos. ja passou um ano e dois meses após a tua partida. muitos ficaram felizes. outros nem por isso. eu nao liguei. passavas a vida a dizer que ias mudar daqui para ali, dali para aqui. e na altura pensei qe fosse o mesmo, até a professora falar conosco sobre a tua mudança. aí apercebi-me que era a sério. que ia perder mais uma pessoa para longe. que o nosso para sempre nao existia. qe o "nunca me largues a mão. de maneira nenhuma," ia ter um fim ali.e nao é que teve mesmo? nós jurámos que iamos estar sempre juntas quando viesses cá. eu jurei que te ia visitar lá. foi mais-ou-menos assim. nos primeiros tempos, ainda cá vieste várias vezes e estavas sempre comigo. depois? depois não. eu nunca aí fui. e peço desculpa. fizemos demasiadas promessas uma á outra, e nenhuma cumprimos. lembro-me tão bem do dia em qe esta amizade mudou completamente. foi o teu último dia cá. foi o teu último dia na escola. o nosso último dia como melhores amigas. passou-se bastante coisas nesse dia. nessa tarde. nao vou referi-las. sao demasiadas tuas, minhas, nossas, deles. o autocarro chegou, eu sabia que era o último dia qe iamos estar juntas. estávamos de mão dada mesmo a porta do autocarro. contámos a história ao motorista e tudo. ele ja nos conhecia e bem. aquele dia foi diferente. foi o dia. foi o dia que fez a diferença na tua vida. na minha vida. na vida deles como turma. o autocarro parou na minha paragem, nao te disse nada, larguei-te a mão, e saí do autocarro. sempre de costas. ouvi a porta principal a fechar. continuei o meu caminho. olhei para trás com a esperança que tivesses saído comigo como ás vezes fazias, e que estivesses ali e que afinal nao ia ser agora a despedida. olhei para trás porque queria um ultimo abraço. aquele que eu no ultimo dia nunca te dei. e que me arrependo bastante. olhei para trás. e não lá estavas. o autocarro nao lá estava. tu tinhas ido embora. agora eu sabia disso. acabou tudo. eu sabia qe ia ser assim. passou-se o fim-de-semana. segunda-feira, paragem do autocarro. entrei e nao lá estavas. procurei-te em todos os bancos. cheguei a escola e fiz o mesmo. custou-me bastante acreditar que tu nao lá estavas. mesmo assim nao chorei. mas sentia-me mal por mil e uma razões diferentes. passado uns dias ligaste-me, e aí, eu chorei quando desligaste a chamada. chorei porque percebi tudo. chorei porque nao aceitava o facto de me teres deixado. chorei por estares tão feliz lá. hoje quando me lembro de ti, choro. orgulho-me. e sorri-o. porque eu ensinei-te muitas das coisas que sabes hoje. porque eu ajudei-te a cresce.r da mesma maneira qe tu me ajudaste. lembra-te que sempre te amei. lembra-te que o nosso adeus nao existiu nunca. nunca foi dito por nenhuma das duas. foi só o largar das nossas maos. mas olha, olha bem. nao me sentes a segurar-ta á mesma? olha bem, sentes. eu tambem sinto a tua a apertar-me como sempre. quando voltares tens uma casa com a porta aberta á tua espera.
                                                                                                  - foi a mariana (...)