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domingo, 4 de setembro de 2011

Your choice.

Gostava de voltar a escrever todas as semanas aqui. Gostava de ter a vontade de escrever que tinha á uns meses atrás. Gostava de poder escrever tudo o que quisesse aqui, sem problemas nenhuns. Mas não, já não consigo. Muita coisa em mim mudou. Eu sei que desiludi pessoas, mas elas também me desiludiram a mim. Eu sei que não sou perfeita, nem elas o são. Aconteça o que acontecer, a culpa vai ser sempre minha. Eu sei que sim. Não estou á espera que alguém passe aqui, e pare para ler o que vou escrever a seguir, mas mesmo assim, vou escrever sobre isto. Á coisa de mais de um ano, cheguei a casa, e os meus pais disseram que precisavam de falar comigo, não achei nada demais. Fui ter com eles, e aí o meu mundo caiu completamente. Eles disseram que tinhas tomado mais doses do que devias dos comprimidos que andavas a tomar, porque andavas com dificuldade em adormecer, e mais uns que não me lembro bem, e que no dia a seguir de manhã estavas inconsciente e correram contigo para o hospital. Por outras palavras, tu tinhas-te tentado matar. Tu estavas longe de mim, eu não pude correr e ir ter contigo, como se o hospital fosse já aqui. Porque não era. Tu tens noção do que me fizeste passar? Tu tens noção de como os teus pais ficaram? Tu tens noção de como as tuas amigas ficaram? Tu tens noção da dor e preocupação que causaste a toda a gente? Não te culpo por o teres feito. Compreendo-te. Mesmo sabendo que nunca disseste a ninguém porque o fizeste, eu sei porque foi. Só havia uma justificação. Chorei tanto nesse dia, ninguém sabia se ias acordar. Ninguém estava bem com aquela situação. Chorei, e chorei, até mais não poder. A dor não passava por nada, no dia a seguir fui para a escola, contra a minha vontade. Estava tão mal. Mas tive de fingir que estava super bem, claro. E o pior, de tudo sabes o que foi? É que eu nunca tive ninguém nessa altura com quem falar sobre isto. Ninguém. Todos os dias ligava para la com a esperança de poder falar contigo. Contentava-me a falar com a tua mãe. Nunca me deixaram falar contigo. Mas nunca desisti. Passado uma semana já tinhas saído de la. Fomos todos almoçar juntos. Quando te vi abracei-te com todas as minhas forças. E percebeste que estava chateada contigo por teres sido irresponsável ao ter essa atitude sem pensar nos outros a tua volta. Mas também percebeste que eu nunca tinha ficado tão preocupada com alguém como fiquem contigo. As lágrimas vieram-me aos olhos, mas não deixei que caíssem. Agora estavas comigo, e era só acreditar que não voltarias a fazê-lo. Com tanta coisa já passou um ano, e tu estas mais que bem, e continuas a ser a minha parvalhona e o meu maior orgulho. Amo-te, e se existe alguém por quem daria a vida és tu. Catorze anos, nada, mesmo nada, algum dia vai conseguir derrubar isto.

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